Arbitragem Cearense não consegue se renovar e Milton Otaviano acaba ficando na corda bamba
Com um Comitê de Arbitragem inchado e com alto índice de reprovações físicas, quadro cearense é um dos piores do Brasil
Da redação
Atualizado em 08/04/2017 às 07h:25

CEARÁ - Renovação zero; Escola de Arbitragem sem a chancela do sindicato ferindo a Lei Federal que regula a atividade no país; Principais árbitros da CBF reprovados no teste físico; Dirigentes favoráveis ao sorteio; Quarentões na semifinal do estadual; Arbitragem de fora para as finais do Cearense e um comitê inchado com membros até indo parar na delegacia. É esse o panorama encontrado na arbitragem cearense atualmente. Sem perspectivas de futuro e com uma renovação trágica que não deu certo, um dos estados mais importantes do futebol brasileiro não tem conseguido traduzir na prática, todos os investimentos que a Federação Cearense de Futebol tem feito ao longo dos últimos anos.

Uma das maiores contradições em todo esse processo é o instrutor da FIFA, Milton Otaviano dos Santos, responsável pela arbitragem local. Embora viaje o Brasil pela CBF dando instruções em pré-temporadas de outras federações, parece que as suas aulas tem surtido mais efeito fora de casa do que dentro. Sinal de que como instrutor, Otaviano rende bem mais do que como gestor. Há quatro anos no COAF após ter sido exonerado da Escola de Árbitros da Federação do Rio Grande do Norte, Milton até aqui não conseguiu nem mesmo com seu prestígio, emplacar um árbitro de ponta em competições nacionais. Sua última aposta, Léo Simão, até tentou, mas sua inquestionável fragilidade técnica o impediu de manter a regularidade nas escalas da CBF.

Um dos problemas da arbitragem cearense está na formação. Liderada pelo ex-árbitro Paulo Silvio, derrotado nas últimas duas eleições do sindicato, a Escola de Árbitros da Federação Cearense de Futebol interpreta à sua forma a Lei que regula a atividade de árbitro no Brasil que é clara ao afirmar que: ‘apenas as entidades de classe podem formar novos árbitros’. Na falta de um órgão fiscalizador e partindo da premissa de que “qualquer Liga pode assumir essa chancela”, Paulo Silvio, adepto a essa versão, continua formando árbitros por todo estado.

A decadência da arbitragem cearense não está apenas na formação de novos árbitros, mas também na composição de seu comitê. Conduzido ao distrito policial “suspeito” de manter uma clínica clandestina de aborto no fundo de uma farmácia, o ex-auxiliar Francisco Nogueira Junior além inspetor de arbitragem, assumiu o cargo de Diretor do Centro de Pesquisa e Análise de Desempenho, pasta ligada ao Comitê de Arbitragem da FCF. Enquanto isso, no Rio de Janeiro a CBF não só cobra lisura dos árbitros, como criou um departamento só para impedir que desvios de conduta ocorram. Outras federações do país também seguem essa conduta, tal medida tem como objetivo evitar dissabores com árbitros e dirigentes. No Ceará parece que essa medida não tem efeito.

O Campeonato Cearense está chegando ao final tendo que contar com árbitros sem expressão nacional para comandar as partidas decisivas. Mas isso ainda não é o pior. Ceará e Fortaleza se passarem para a final, como já ocorreu em edições anteriores do torneio, deverão pedir arbitragem de fora. Com uma gestão que infelizmente não trouxe resultados, nomes como o do ex-árbitro Almeida Filho ganham força no estado para assumir o lugar de Milton Otaviano dos Santos. Após pendurar o apito em razão da sua ineficácia física, Almeida surge como uma boa opção para que a arbitragem cearense possa reencontrar a sua identidade com alguém que tenha comando e energia para apresentar um trabalho que funcione.

Como se não bastasse o momento delicado vivido no estado, dois dos principais árbitros do quadro foram reprovados no teste físico. Um deles é Glauco Feitosa que tem qualidades e poderia ser melhor aproveitado. Já o outro, é Avelar Rodrigo, que anos atrás se viu obrigado dar um tempo na carreira, depois de amargar o insucesso numa tentativa frustrada de derrubar um ex-dirigente que respondia pelo apito cearense. Além deles, Cleuton Lima também foi reprovado, este, que há anos está no quadro nacional, porém não conseguiu despontar.

Caso seja reprovado no próximo teste físico, Avelar Rodrigo deverá ter o mesmo destino de Almeida Filho, este que pendurou o apito após diversas reprovações físicas. Se isso se confirmar, é provável que Avelar seja remanejado para algum cargo no Comitê de Árbitros da FCF, destino semelhante ao que ocorreu com Almeida Filho, que assumiu a Ouvidoria de Arbitragem da entidade.

A crise no apito na terra do humor não tem nenhuma graça. Com um quadro envelhecido, Milton Otaviano teve que escalar o quarentão Edson Galvão, 45 anos, na semifinal do Campeonato Cearense. Embora seja um árbitro experiente, Galvão, que há tempos atrás era inimigo de Paulo Silvio e declarava isso publicamente, parece ter mudado de ideia, fator que o credenciou para o jogo mais importante de sua modesta carreira.

O Ceará tem hoje um Presidente de Federação moderno, competente e parceiro da arbitragem, algo pouco comum no país. Porém os investimentos feitos por Mauro Carmélio não estão surtindo efeito dentro de campo. Tudo isso é graças à falta não só de estratégia e planejamento, como também de gestão. Embora seja um dos melhores instrutores técnicos do país, Milton Otaviano ainda não conseguiu repetir o sucesso que teve dentro de campo como auxiliar da FIFA, fora dele como gestor.

Com bom trânsito na FCF, mas sob os olhares atentos de Paulo Silvio, que há anos sonha com o poder, caso assuma a pasta no lugar de Otaviano, Almeida precisa ter coragem para montar a sua equipe reestruturando a arbitragem com nomes de peso. Isso manterá não só a confiança da opinião pública, dos clubes e dos próprios árbitros, como também abrirá espaço para o diálogo com todos os setores que agregam o futebol cearense, inclusive o Sindarf (Sindicato dos Árbitros do Ceará), entidade classe que está renegada a segundo plano por "apenas" fazer o seu papel.

Com a reprovação dos principais árbitros do Ceará no teste físico e a aposentadoria forçada de Almeida Filho, a arbitragem cearense chega literalmente ao fundo do poço. Preocupado com a vaga deixada pelo agora Ouvidor, Almeida Filho, Otaviano indicou o escritor Adriano Barros para o seu lugar. Embora esforçado, tecnicamente Barros é limitado, além de ter uma baixa estatura, perfil que desagrada a CBF.



A nossa reportagem procurou, de forma insistente, o Presidente do Comitê de Árbitros da Federação Cearense de Futebol para que ele pudesse falar sobre o assunto. Através de um contato telefônico, Milton Otaviano dos Santos alegou estar “ocupado” com a jornada técnica realizada pela CBF no Paraná, e que por isso, não responderia as nossas perguntas. Isso mostra o grau de preocupação do dirigente/instrutor com a arbitragem cearense que ao que tudo indica, pra ele está 100%.

Nós também procuramos Francisco Nogueira para que ele pudesse explicar a sua situação com a justiça. Porém o dirigente não foi encontrado. Já Paulo Silvio, membro do comitê, fez questão de responder os nossos questionamentos. O conteúdo e todas as suas respostas na íntegra, você confere clicando AQUI.

Avelar Rodrigo, Almeida Filho e Cleuton Lima, até o fechamento da matéria, também não foram encontrados. O Voz do Apito também procurou Mauro Carmélio para que ele pudesse explicar a admissão de Francisco Nogueira e os desdobramentos da arbitragem cearense, porém o dirigente estava viajando.

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