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SEM MÁGOAS

Chicão revela detalhes de sua saída da FIFA: “Não achei que fosse sair”

Único árbitro FIFA na história de Alagoas, Francisco Carlos do Nascimento revelou detalhes do dia em que descobriu que não continuaria mais no quadro internacional

03/01/2018 21:34

Voz do Apito

Alagoas – Ele atingiu o mais alto patamar que um árbitro de futebol ao longo da sua carreira pode conseguir chegar: ostentou durante anos o cobiçado escudo da FIFA. Mas se engana quem acredita que o caminho até esse momento importante de sua vida foi fácil. Oriundo de uma família humilde do interior do Estado de Alagoas, Francisco Carlos do Nascimento bateu um papo com o Voz do Apito e revelou como foi o dia em que descobriu que não continuaria mais na FIFA.

Francisco Carlos do Nascimento foi o único árbitro Alagoano a ter um escudo da FIFA
Foto: GazetaPress

VA: Tudo bem, Chicão? Como tem passado?

Chicão: Estou bem, graças a Deus. Treinando e me preparando para o início de mais um Campeonato Alagoano.

VA: Dizem que você apitou mais vezes no Maracanã do que no Rei Pelé. É verdade isso?

Chicão: Eu tive a honra de apitar no “maraca” várias vezes, isso é verdade. E a cada escala o frio na barriga é igual. Quando você sobe aquelas escadas que te levam do vestiário da arbitragem até o gramado é um momento único. E todas as vezes que passo por isso, me emociono.

VA: Como foi sua infância, Chicão?

Chicão: Sou de uma família pobre. Minha criação foi toda em Ibateguara, cidade do interior de Alagoas. Vivíamos na dificuldade, mas nunca nos faltou nada. Tenho orgulho de sair de uma cidade pobre do interior do Nordeste e ter me tornado um árbitro da FIFA.

VA: E sua família, sempre te apoiou?

Chicão: Com certeza! Minha família sempre torceu muito por mim. Sem o apoio familiar não existe sucesso em nada que você pense em fazer. Sou realizado e muito feliz pela base familiar que construí.

VA: Você falou sobre a sua entrada na FIFA. Como foi para você o dia que chegou a notícia de que você não pertenceria mais ao quadro?

Chicão: Não vou mentir, foi duro até porque não achei que fosse sair. Fiquei triste. Chorei, mas tive que recolher os cacos disso tudo e recomeçar. Ninguém que entra quer sair, mas eu entendi como um incentivo da comissão para que eu corrigisse alguns aspectos que hoje, mais maduro eu consegui melhorar. Tanto que ano passado rodei o país atuando em jogos de expressão nacional e mantive a mesma regularidade do início ao fim.

VA: Parece que o Coronel Marinho gosta do seu trabalho, né?

Chicão: Jesus, sinceramente acho que gosta, tanto que ele me escalou na abertura e na Final da Copa do Nordeste de 2017. Puxe aí e veja se algum outro árbitro conseguiu esse feito? Estou feliz com as oportunidades que a CBF me dá e procuro dentro de campo seguir as diretrizes que eles determinam. Não tem receita de bolo não, ou você treina e fica preparado para fazer o melhor, ou a chance passa e depois você não consegue mais voltar.

Na última temporada, Chicão foi um dos árbitros que mais atuaram na Série B do Brasileirão
Foto: GazetaPress

VA: Em Alagoas mudou o comitê de árbitros. Saiu o Hércules Martins e entrou o Charles Herbert. O que muda para você?

Chicão: São duas pessoas que fizeram muito pela nossa arbitragem. Ambos foram árbitros que durante anos representaram muito bem o nosso estado. Hércules parou e assumiu a comissão e a mesma coisa ocorreu com o Charles. Acredito que são ciclos como tudo na vida né. Para um começar, outro precisa ser encerrado. Para mim não mudou nada. Continuo treinando e me dedicando a atuar de acordo com o que a comissão sugere.

VA: Como você avalia hoje a sua carreira?

Chicão: Eu cheguei à FIFA, apitei nos principais estádios do Brasil e rompi barreiras. Fui mais longe do que muita gente achou que eu fosse. Meu balanço hoje é positivo. Sou e estou feliz por tudo que vivi e que ainda pretendo viver ao longo dos próximos anos no futebol, afinal de contas ainda tenho muita lenha para queimar.

VA: E aquele bigode horroroso que você usava anos atrás, desistiu?

Chicão: Eu sou o árbitro mais bonito do Nordeste, pode pesquisar aí que você vai constatar que não existe cabra mais bem afeiçoado do que eu.