22/03/2017 | 05h:25

Assessores de arbitragem: problema ou solução?




Outro dia, conversando com um dirigente amigo meu, tomei conhecimento de uma história surreal que acontece o tempo todo na arbitragem brasileira, mas ninguém fala nada. Um assessor, ex-árbitro da CBF que é Presidente de Comitê de Arbitragem em seu estado, foi avaliar um determinado árbitro. Até aí, nada demais. O problema é que esse assessor cometeu um deslize crasso em seu relatório: ele deu uma nota alta para o árbitro central que errou absolutamente tudo no jogo, inclusive foi muito criticado pela TV, e ao mesmo tempo, deu uma nota baixa a um auxiliar, que conseguiu acertar todos os impedimentos que marcou.

Agora eu pergunto: que critério foi usado para essa avaliação?

Tenho percebido que a CBF aos poucos quer acabar com essa farra dos assessores de arbitragem que existe em todo país. Como não é ela (CBF), quem os indica, mas sim, as federações, entra quem quer e os resultados dessa medida desastrosa estão aí, para quem quiser ver.

Há relatos de observadores que são rotineiramente reprovados em avaliações teóricas, como um famoso no Ceará, mas mesmo assim são escalados. Se eu citar nomes aqui, fico até amanhã. Sem contar os que não sabem escrever, como um que escreveu a palavra “isso” com cedilha, mas que praticamente em toda rodada tem sua escala garantida.

Mas essa questão preocupante não é só com esse grupo de assessores não. Tenho visto alguns “instrutores” que nunca apitaram pela CBF, dando aulas nos estados. Virou moda! Não há critério nas escolhas e todo mundo sabe disso. Basta apenas o presidente de uma federação indicar ou pedir, que entra quem eles quiserem colocar.

Tem um de Brasília que se acha o rei, mas nunca foi um árbitro CBF. Mesmo assim está no quadro de instrutores e viaja o Brasil instruindo árbitros que compõem o quadro. Pior são os árbitros que pedem, inclusive, pra tirar fotos com ele....

Acho que está na hora do Coronel Marinho mostrar a que veio. Até agora está tudo mais do mesmo. Não vi ainda nenhuma mudança significativa que balançasse a arbitragem. Olho as escalas, os mesmos árbitros e assessores.

Tomei conhecimento que o Coronel está se esforçando, indo a todos os estados numa espécie de pré-temporada feita pela CBF em parceria com as federações. Essa ideia eu dei a ele assim que assumiu, pois tinha muita gente reclamando que ele não conhecia nada, porque não andava o Brasil. Agora não tem mais desculpas! Já que está conhecendo, acabe de uma vez com essa farra dos assessores indicados por federações e baixe uma norma de que só pode ser instrutor da CBF, que um dia foi da CBF, caso contrário vai virar bagunça!

A propósito, apitei “SUB-5” no Rio de Janeiro e mesmo assim porque meu irmão Moutinho me ajudava. Será que não tem uma vaga de instrutor pra mim não? Também quero ser instrutor... se o de Brasília pode, eu também posso! 



14/03/2017 | 09h:32

PEC da bengala: problema ou solução?




Tenho andado o país e resolvi falar de um tema que tem me preocupado. É sabido que a arbitragem brasileira já algum tempo passa por uma reformulação que pode não ser a ideal, mas que era necessária. 

Durante anos víamos o chamado “mais do mesmo” nas escalas do Campeonato Brasileiro, com ênfase ao sul e sudeste, porém com o passar do tempo, esse panorama começou a dar lugar a miscegenação da arbitragem, onde profissionais de estados antes esquecidos, passaram a trabalhar em jogos de grande expressão. 

Certa vez em entrevista com Marco Polo Del Nero, em seu gabinete, na CBF, eu o perguntei sobre as ações que a entidade tomaria para dar ao árbitro de futebol todos os mecanismos para que ele desempenhe o seu trabalho em alto nível. Sem pestanejar, o dirigente me disse que o seu COAF tem carta branca para tomar todas as decisões que julgar necessárias para que isso ocorra, mas deixou claro que os árbitros que “vivem de arbitragem”, sempre ascenderão uma luz amarela. 

Depois do episódio envolvendo o paulista Edilson Pereira de Carvalho, em 2005, com a “Máfia do Apito”, as principais federações do país tomaram algumas precauções que tinham como objetivo evitar que novos casos como esse surgissem. Foi então que nasceu o papel do “Corregedor de Arbitragem”. 

Um clube que vai decidir uma decisão nacional, como a Copa do Brasil, por exemplo, se campeão receberá cifras expressivas que passeiam na casa dos milhões. Árbitro de futebol, não todos, mas alguns, fazem de tudo, de tudo, por escalas. Isso também é um problema, sobretudo para os que dependem da arbitragem pra viver e já atingiram os 45 anos. 

Eu não sou contra que a carreira do árbitro vá até os 50, mas sou contra a forma como a coisa tem sido feita. Acho que a CBF deveria analisar caso por caso para evitar que episódios semelhantes ao de 2005, voltem ocorrer. Marco Pólo sabe disso, mas talvez não saiba que a maioria dos que fizeram 45, está permanecendo no quadro a esmo. 

No lugar de Marcos Marinho eu eliminaria todos os árbitros, pós 45, que não tivessem uma profissão ou que dependessem da atividade pra viver. No Brasil temos muitos nessa situação. Além disso, faria uma varredura em sua carreira pra saber se este profissional tem históricos de reprovações físicas e técnicas, e como ele é visto pelos seus colegas de trabalho. 

Acho que essas condições são importantes para que a arbitragem brasileira mantenha no quadro medalhões como por exemplo: Marcelo Aparecido (SP), Jaílson Freitas (BA), André Castro (GO), Chico Neto (RS) e tantos outros árbitros quarentões que dentro de campo ainda fazem a diferença. Em contrapartida, que exclua, de uma vez por todas, algumas figuras que não precisam ser citadas, mas que todos nós conhecemos bem.

Aos 45 anos de idade, qual a motivação, a não ser financeira, sobretudo se depender da atividade, que um árbitro tem para continuar apitando? Deixo claro que não estou ponto em xeque a honestidade da arbitragem brasileira, mas depois de tudo que vi e vivi nos bastidores ao longo de todos esses anos, não coloco a minha mão no fogo por uns e outros que querem a todo custo continuar apitando após os 45. 

Futebol é um negócio que para uns pode se tornar muito caro. Por isso é necessário ter cautela, inteligência e fazer as melhores escolhas. 



09/02/2017 | 04h:31

O que esperar de Marcos Marinho à frente da arbitragem brasileira




É preciso acabar com o preconceito que algumas pessoas têm ao dizerem que só árbitros podem administrar comitês de arbitragem. Indo para o campo político, por exemplo, vejam o que João Dória, “gestor” e empresário, está fazendo em São Paulo. Na arbitragem não é diferente.

Galvão Bueno nunca jogou bola, mas hoje é um dos principais jornalistas esportivos do Brasil. Então por qual motivo uma pessoa que nunca apitou futebol, também não pode fazer a diferença?

Pessoalmente eu gostei da indicação do Coronel Marinho para comandar a arbitragem brasileira. Pessoa do bem, que ama a atividade como ele mesmo me disse recentemente em Florianópolis, e um gestor que poderá mudar pra melhor o panorama que encontramos hoje na arbitragem brasileira.

De cara, quando entrou, acabou com o famigerado quadro de aspirantes FIFA. Aliás, medida ‘comemoradíssima’ nos bastidores. Conversei com ele e vi em seus olhos a vontade de fazer diferente. De mudar. De fazer melhor.

Antigamente a arbitragem brasileira era vitrine, mas hoje tornou-se vidraça. Desrespeitaram carreiras e fizeram muitos “quarentões” se aposentarem. Não há um projeto para a arbitragem, o que há são normas e números que por mais de uma década justificaram várias decisões contraditórias que acompanhamos de perto.

O Coronel Marinho precisa gerir sua pasta em sintonia com os comitês locais, mas para isso, não basta telefonar e bater um papo com o dirigente que está do outro lado da linha. É preciso viajar o país e conhecer de perto as necessidades e os conceitos que cada estado possui.

Eu vou fazer isso. O futebol me proporcionou conhecer todos os estados do país e mais uma vez reinicio a minha série de reportagens que falará sobre isso. Vou a todos os estados verificar como a arbitragem tem sido tratada, conversando com dirigentes e árbitros. Vamos criticar sim, mas o intuito principal é mostrar superações e o lado sempre bom das coisas.

Desejo sorte ao Coronel Marinho, mas além de desejar-lhe boas vibrações, desejo também que ele acabe com os cabides de emprego criados ao longo dos tempos na CBF e monte uma estrutura que lhe permita resgatar o prestígio da arbitragem brasileira.

Está na hora de acabarmos com o mais do mesmo apostando em que apita por vocação!

 




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