16/04/2017 | 06h:32

Achei lindo, mas se fizeram com ela, deveriam fazer com todos!




Pode até ser que você não concorde com o que vou escrever aqui, mas procure entender o meu ponto de vista?

Quantos árbitros de futebol pararam nas últimas duas décadas? Eu não vou buscar na história, estou me atendo apenas aos últimos vinte anos. Você lembra?

No saguão do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, recebi um telefonema de um amigo meu da “Fox” garantindo:

- Jesus, Nadine Bastos, a bandeirinha de Santa Catarina, agora será minha colega de emissora.

Lógico que eu não acreditei, sobretudo por nunca ter visto alguém na arbitragem ralar tanto pra conseguir o escudo da FIFA, e depois trocá-lo por seja lá o que for.

Chegando em casa, através das redes sociais, vi um radialista catarinense tocando no mesmo assunto. Foi então que constatei que aquele meu amigo que horas antes me ligava estava falando a verdade. Nadine realmente parou e largou pra trás todos os holofotes que uma carreira na FIFA poderia proporcioná-la.

Uns podem dizer que ela chegou ao quadro por ter se envolvido com Dionísio Domingos, até pode ter sido, mas por outro lado, é preciso reconhecer que além de educada, ela tem talento e pouco errava.  Isso é fato e não restam argumentos. Porém, porém, porém....

Nos últimos vinte anos medalhões, cardeais do apito, árbitros que fizeram história no futebol brasileiro pararam, mas eu não vi seja no site da ANAF, e muito menos no da CBF, qualquer referência a eles. Nem a Carlos Simon, que apitou três Copas do Mundo. Mas com Nadine foi diferente. Além de ter sido notícia tanto no site da entidade classe, como no da Confederação, ela ainda recebeu da CBF, numa medida inédita, uma placa de agradecimento pelos serviços prestados ao futebol.

Agora eu pergunto: será que a CBF vai fazer com todos os árbitros e árbitras que pararem daqui pra frente?

Eu quero entender por qual motivo deram a ela um tratamento diferenciado e aos demais, que tiveram inclusive mais história e respeitabilidade dentro de campo, não. Sálvio, Paulo César, Moutinho, Tardelli, Zequeto, Bozzano, Pimentel, e tantos outros sequer receberam um telefonema, um telegrama, uma carta, um like no Facebook, um abraço, uma caneta....... da CBF quando pararam.

Acho que vale a reflexão. 



31/03/2017 | 02h:02

Coronel Marinho tem feito à diferença




Por esses dias bati um papo com Marcos Cabral Marinho, Presidente do Comitê de Árbitros da CBF sobre a sua presença nas jornadas técnicas estaduais. Esse era um pleito antigo, inclusive assim que ele assumiu, dentre várias sugestões, disse a ele que era necessário que o mesmo viajasse o Brasil, e assim ele fez. Nas últimas semanas me confidenciou ter percorrido 14 estados, atitude inédita no comando da nacional.

A arbitragem brasileira precisa exatamente disso, ou seja, de um comandante que se faça presente e não mantenha a velha máxima do “mais do mesmo”. Lógico que as pessoas que passaram deram a sua contribuição, porém é necessário oxigenar o sistema para que novas ideias e perspectivas surjam.

O curioso nas viagens que o Coronel fez, foi que até no estado do Acre ele foi. Não me recordo em todos esses anos de ter escutado dizer que um Presidente do COAF/CBF tenha ido ao Acre. Isso mostra não só a motivação do dirigente em fazer a diferença, como comprova a sua vontade de aprender vivenciado o dia a dia do árbitro.

Lógico que essa novidade repercutiu de forma positiva em todo país. Tenho recebido telefonemas de árbitros e dirigentes empolgados com a possibilidade de receber o presidente em sua região. Isso é importante para o desenvolvimento da arbitragem, pois acaba de uma vez por todas com o bairrismo sul/sudeste que existiu durante anos no apito brasileiro.

Algumas competições nacionais já estão em andamento como a Copa do Brasil. Mas o teste de fogo mesmo será quando o Brasileirão começar. Vamos ver como o dirigente vai lidar, por exemplo, com os novos ‘FIFAS’ que ele não colocou no quadro. Pessoalmente eu aposto de cara que pelo menos 4 deixarão o quadro no fim da temporada. Mas vamos aguardar para ver o desenrolar do ano e as perspectivas em cima dos trabalhos apresentados tanto pelos árbitros, quanto pelos dirigentes que compõem a nacional.

Estou indo novamente à Europa para concluir um estudo que estou realizando sobre a arbitragem eixo europeu. Esse material, quando pronto, estará disponível em nosso portal. 



22/03/2017 | 05h:25

Assessores de arbitragem: problema ou solução?




Outro dia, conversando com um dirigente amigo meu, tomei conhecimento de uma história surreal que acontece o tempo todo na arbitragem brasileira, mas ninguém fala nada. Um assessor, ex-árbitro da CBF que é Presidente de Comitê de Arbitragem em seu estado, foi avaliar um determinado árbitro. Até aí, nada demais. O problema é que esse assessor cometeu um deslize crasso em seu relatório: ele deu uma nota alta para o árbitro central que errou absolutamente tudo no jogo, inclusive foi muito criticado pela TV, e ao mesmo tempo, deu uma nota baixa a um auxiliar, que conseguiu acertar todos os impedimentos que marcou.

Agora eu pergunto: que critério foi usado para essa avaliação?

Tenho percebido que a CBF aos poucos quer acabar com essa farra dos assessores de arbitragem que existe em todo país. Como não é ela (CBF), quem os indica, mas sim, as federações, entra quem quer e os resultados dessa medida desastrosa estão aí, para quem quiser ver.

Há relatos de observadores que são rotineiramente reprovados em avaliações teóricas, como um famoso no Ceará, mas mesmo assim são escalados. Se eu citar nomes aqui, fico até amanhã. Sem contar os que não sabem escrever, como um que escreveu a palavra “isso” com cedilha, mas que praticamente em toda rodada tem sua escala garantida.

Mas essa questão preocupante não é só com esse grupo de assessores não. Tenho visto alguns “instrutores” que nunca apitaram pela CBF, dando aulas nos estados. Virou moda! Não há critério nas escolhas e todo mundo sabe disso. Basta apenas o presidente de uma federação indicar ou pedir, que entra quem eles quiserem colocar.

Tem um de Brasília que se acha o rei, mas nunca foi um árbitro CBF. Mesmo assim está no quadro de instrutores e viaja o Brasil instruindo árbitros que compõem o quadro. Pior são os árbitros que pedem, inclusive, pra tirar fotos com ele....

Acho que está na hora do Coronel Marinho mostrar a que veio. Até agora está tudo mais do mesmo. Não vi ainda nenhuma mudança significativa que balançasse a arbitragem. Olho as escalas, os mesmos árbitros e assessores.

Tomei conhecimento que o Coronel está se esforçando, indo a todos os estados numa espécie de pré-temporada feita pela CBF em parceria com as federações. Essa ideia eu dei a ele assim que assumiu, pois tinha muita gente reclamando que ele não conhecia nada, porque não andava o Brasil. Agora não tem mais desculpas! Já que está conhecendo, acabe de uma vez com essa farra dos assessores indicados por federações e baixe uma norma de que só pode ser instrutor da CBF, que um dia foi da CBF, caso contrário vai virar bagunça!

A propósito, apitei “SUB-5” no Rio de Janeiro e mesmo assim porque meu irmão Moutinho me ajudava. Será que não tem uma vaga de instrutor pra mim não? Também quero ser instrutor... se o de Brasília pode, eu também posso! 



14/03/2017 | 09h:32

PEC da bengala: problema ou solução?




Tenho andado o país e resolvi falar de um tema que tem me preocupado. É sabido que a arbitragem brasileira já algum tempo passa por uma reformulação que pode não ser a ideal, mas que era necessária. 

Durante anos víamos o chamado “mais do mesmo” nas escalas do Campeonato Brasileiro, com ênfase ao sul e sudeste, porém com o passar do tempo, esse panorama começou a dar lugar a miscegenação da arbitragem, onde profissionais de estados antes esquecidos, passaram a trabalhar em jogos de grande expressão. 

Certa vez em entrevista com Marco Polo Del Nero, em seu gabinete, na CBF, eu o perguntei sobre as ações que a entidade tomaria para dar ao árbitro de futebol todos os mecanismos para que ele desempenhe o seu trabalho em alto nível. Sem pestanejar, o dirigente me disse que o seu COAF tem carta branca para tomar todas as decisões que julgar necessárias para que isso ocorra, mas deixou claro que os árbitros que “vivem de arbitragem”, sempre ascenderão uma luz amarela. 

Depois do episódio envolvendo o paulista Edilson Pereira de Carvalho, em 2005, com a “Máfia do Apito”, as principais federações do país tomaram algumas precauções que tinham como objetivo evitar que novos casos como esse surgissem. Foi então que nasceu o papel do “Corregedor de Arbitragem”. 

Um clube que vai decidir uma decisão nacional, como a Copa do Brasil, por exemplo, se campeão receberá cifras expressivas que passeiam na casa dos milhões. Árbitro de futebol, não todos, mas alguns, fazem de tudo, de tudo, por escalas. Isso também é um problema, sobretudo para os que dependem da arbitragem pra viver e já atingiram os 45 anos. 

Eu não sou contra que a carreira do árbitro vá até os 50, mas sou contra a forma como a coisa tem sido feita. Acho que a CBF deveria analisar caso por caso para evitar que episódios semelhantes ao de 2005, voltem ocorrer. Marco Pólo sabe disso, mas talvez não saiba que a maioria dos que fizeram 45, está permanecendo no quadro a esmo. 

No lugar de Marcos Marinho eu eliminaria todos os árbitros, pós 45, que não tivessem uma profissão ou que dependessem da atividade pra viver. No Brasil temos muitos nessa situação. Além disso, faria uma varredura em sua carreira pra saber se este profissional tem históricos de reprovações físicas e técnicas, e como ele é visto pelos seus colegas de trabalho. 

Acho que essas condições são importantes para que a arbitragem brasileira mantenha no quadro medalhões como por exemplo: Marcelo Aparecido (SP), Jaílson Freitas (BA), André Castro (GO), Chico Neto (RS) e tantos outros árbitros quarentões que dentro de campo ainda fazem a diferença. Em contrapartida, que exclua, de uma vez por todas, algumas figuras que não precisam ser citadas, mas que todos nós conhecemos bem.

Aos 45 anos de idade, qual a motivação, a não ser financeira, sobretudo se depender da atividade, que um árbitro tem para continuar apitando? Deixo claro que não estou ponto em xeque a honestidade da arbitragem brasileira, mas depois de tudo que vi e vivi nos bastidores ao longo de todos esses anos, não coloco a minha mão no fogo por uns e outros que querem a todo custo continuar apitando após os 45. 

Futebol é um negócio que para uns pode se tornar muito caro. Por isso é necessário ter cautela, inteligência e fazer as melhores escolhas. 




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