16/08/2017 | 23h:50

Os melhores também erram




Terminou há pouco a partida de ida entre Flamengo x Botafogo, válida pela semifinal da Copa do Brasil, no Rio. Confesso que quando vi a escala do gaúcho Anderson Daronco, não compreendi qual o critério usado em sua designação, já que um árbitro do seu gabarito tem que estar na decisão. Acredito que a Comissão Nacional de Arbitragem quis começar bem essa fase final do torneio, mas como o futebol não é uma ciência exata, infelizmente até um dos mais conceituados árbitros do Brasil também tem aquele dia ruim.

A partida em si não o exigiu muito. Tecnicamente tanto Flamengo quanto Botafogo entraram em campo para justificar o ingresso pago pelos torcedores. E justificaram! Jogaram um futebol bonito de assistir com o Engenhão lotado. Como ninguém mexeu no marcador, a decisão ficará para a volta, no Maracanã, que deverá receber mais de 60 mil pessoas e provavelmente eu estarei lá.

Voltando a falar do Daronco, alguém tem dúvidas de que ele está entre os três melhores árbitros em atividade no país? Vamos puxar o seu histórico ao longo dessa temporada. Lembram de alguma polêmica ou erro grosseiro? Claro que não! Seu nome sempre é referendado como “o árbitro top de linha” que ele se tornou com o passar dos anos.

O seu trabalho até os 34’ do 2º tempo era impecável, mas após interpretar como conduta violenta uma jogada entre o goleiro Muralha, do Flamengo e o Zagueiro Carli, do Botafogo, enérgico como sempre foi, não titubeou e pôs os dois pra fora. Analisando o lance, infelizmente nessa jogada ele "exagerou" e acabou esfriando o jogo. Mas dos males o menor: a partida terminou em 0 a 0 e no placar, ninguém foi prejudicado.

Vamos aguardar agora para ver quem a Comissão de Árbitros da CBF irá escalar no jogo de volta. Enfrentar um Maracanã lotado não é fácil, talvez seja um belo momento para que Wagner Reway (MT) ou Rodolpho Toski (PR) possam mostrar a quem não entendeu suas entradas na FIFA, que ambos possuem todas as condições não só de conduzirem esse jogo, mas também de continuarem no quadro internacional.

Vale aqui um elogio ao Coronel Marinho pela escala do “quarentão” Marcelo Aparecido na outra semifinal, entre Grêmio x Cruzeiro. Além de ser o melhor árbitro de São Paulo em atividade no Brasil, Marcelo é aquele profissional que todo diretor de arbitragem gostaria de trabalhar. Exemplo de homem e de árbitro. 

 



08/08/2017 | 03h:27

O futuro da ANAF a Deus pertence




No último final de semana estive em Florianópolis participando da Assembleia de Trabalho da ANAF. O evento foi proveitoso e nos proporcionou, no campo das ideias, um amplo debate nacional sobre vários temas relacionados a nossa atividade, entre os quais: a criação de um projeto eficaz para a arbitragem brasileira.

Tenho viajado o país e conversado com muitos amigos do futebol. Árbitros, ex-árbitros, dirigentes, enfim, uma turma de entusiastas, assim como eu, que querem ver o nosso país voltar a ser celeiro de grandes profissionais para o mundo. Por isso sempre bato na tecla da formação. Não se pode, tampouco se deve formar um árbitro do dia para a noite. É necessário dar a ele a oportunidade de atuar nas categorias de base, para depois, com maturidade, chegar ao profissional. Qualquer coisa diferente disso é o que chamam por aí de “geração nutela”.

Voltando ao congresso, fiquei feliz em rever amigos que há tempos não via. Porém tive que me posicionar sobre alguns temas de relevância que merecem destaque aqui no Blog.

Eu e você sabemos que a renovação da arbitragem brasileira, em muitos casos, bateu na trave. Concordo sim que se deva dar continuidade aos árbitros que tenham atingido o índice de 45 anos, desde que passem nos testes físicos e teóricos. Mas insisto em dizer que nestes casos, precisa-se verificar o histórico desse profissional. Não se pode dar, por exemplo, continuidade a carreira de árbitros que só pensam em escalas e no dinheiro oriundo das taxas. É necessário manter no quadro profissionais que queiram, dentro de campo, fazer a diferença.

A ideia de se manter a “PEC da Bengala” é válida, inclusive antes de sair do Comitê de Árbitros de Pernambuco, eu mantive alguns acima dos 45 no quadro indicando para a CBF. Porém fica a dica para que nos próximos anos, a CBF repense algumas indicações e mantenha no quadro quem verdadeiramente, mesmo depois dos 45, se dedica e ainda continua sendo modelo. Não se pode, por exemplo, admitir árbitros acima do peso atuando mais que os árbitros da FIFA na Série A do Brasileiro. Além de desrespeitoso é desnecessário. 

O congresso foi bem proveitoso. Martins fez bem o dever de casa recebendo a todos com a mesma disposição de sempre. Batemos um amplo papo sobre os últimos acontecimentos da arbitragem e o saldo desse evento é bastante positivo.

Outro tema amplamente debatido foi a questão da sucessão presidencial. O pleito é apenas em 2018, por isso, oficialmente não há nenhuma candidatura. É natural que as pessoas vislumbrem em mim um potencial candidato, mas antes de qualquer especulação, afirmo e reafirmo em primeiro lugar o meu compromisso com os homens de bem da arbitragem brasileira. Não penso por agora em eleição, tampouco em palanque eleitoreiro. Quero e vou continuar, independente de rótulos, trabalhando pelo desenvolvimento da nossa categoria no Brasil.

Até a próxima!

 



27/07/2017 | 01h:52

Dizendo o que precisa ser dito




Olá, amigos!

Estreio hoje no Voz do Apito uma coluna semanal que me foi proposta. Encaro esse mais novo desafio com o propósito de falar o que precisa ser falado, sobre quem e o assunto que for, afinal de contas no futebol há também pessoas que merecem o meu respeito.

Arbitragem Pernambucana

 Deixei o comando da arbitragem de Pernambuco por entender que esse era o momento. Sou favorável a alternância do poder e não poderia fazer da comissão uma extensão da minha casa, como muitos Brasil à fora fazem. Por isso optei em sair, mas sair pela porta da frente, a mesma por onde entrei.

Aproveito para agradecer o Dr. Evandro (Presidente da Federação) não só pela carta branca que me deu no período em que lá estive, mas também por ter sido parceiro dos árbitros. Tudo, absolutamente tudo que o setor precisava, ele assinava. O Brasil está cada vez mais carente de pessoas assim. Não posso esquecer também do Murilo Falcão (Diretor de Competições da FPF) por sua lealdade, amizade e confiança. Trabalhar com Murilo foi sem dúvidas um grande aprendizado.

Não posso esquecer também de citar Neide, Bárbara, Chico, Erich, Edivânia e todas as pessoas que direta ou indiretamente estavam comigo à frente deste projeto. Por vocês resolvi sair, pois tenho certeza que tudo que passamos, vivemos e aprendemos juntos, vocês levarão ao Emerson para que ele produza mais e melhor do que eu.

Ao Emerson, meu querido amigo, desejo sorte em seu mais novo desafio. Todos sabemos que não vai ser fácil, mas se fosse, qualquer um assumiria. Por isso coloquei o melhor quadro para me suceder.

Por fim agradeço aos clubes, dirigentes, jogadores, torcedores e à toda imprensa pelo respeito e também pelas críticas, pois dirigente que não é criticado meus amigos, se acomoda! E acomodado eu nunca fui!

Foi um período de grandes conquistas pessoas e coletivas em Pernambuco. Fiz muitos amigos e consegui de alguma maneira, retribuir tudo que a arbitragem pernambucana me deu. Saio contente pelo trabalho realizado, mas peço aos árbitros de todo o quadro que continuem focados, ajudem Emerson e continuem treinando.

Desejo, do fundo do coração que Deus os abençoe e vocês sejam todos, sem distinção, muito felizes!

Domingo eu volto fazendo um balanço da rodada e trazendo à tona um assunto interessante: a formação dos árbitros de futebol.

Até lá!




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