Arbitragem catarinense entra em colapso após morte de Delfim Peixoto
Clubes criam comissão independente de arbitragem, sindicato se posiciona contrário a idéia e árbitros questionam permanência de Sandro Mattos no poder
Da redação
Atualizado em 15/03/2017 às 20h:30

SANTA CATARINA – A arbitragem catarinense atravessa um dos momentos mais conturbados de sua história. Depois da morte do ex-presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto, que era um dos passageiros do trágico vôo da Chapecoense, parece que um dos setores mais importantes do futebol de Santa Catarina acabou perdendo a sua identidade.

Depois de assumir o comando da federação, o paranaense Rubens Angelotti prometeu lisura à frente da arbitragem e novos investimentos. Porém até agora o que se vê no estado é uma arbitragem conturbada no catarinense e a manutenção no quadro de Sandro Meira Ricci, o FIFA que custa aos cofres do futebol de Santa Catarina, mais de 100 mil reais por ano. Além dele, Héber Roberto Lopes, hoje, fora da FIFA, também engrossa o time de 'contratados'.

Insatisfeitos com o que se viu no 1º turno do estadual, os clubes decidiram, em conjunto, criar uma Comissão Independente de Arbitragem que tem como viés, fiscalizar o trabalho realizado pelo esforçado Sandro Mattos - chefe da arbitragem em SC -, que ao que tudo indica, está tendo dificuldades para comandar e anda totalmente desprestigiado pelos que compõem o futebol local.

Essa canetada comprova não só a insatisfação dos desportistas com os trabalhos desenvolvidos à frente do Comitê de Árbitros, como também ascende um alerta na FCF de que a crise está apenas começando. Embora seja conhecida por ser uma entidade que não poupa recursos para investir na arbitragem, dentro de campo todo o esforço não tem sido justificado.



A manutenção de Sandro Mattos à frente do órgão desagrada parte dos árbitros do estado, que reclamam, com razão, dos critérios utilizados nas escalas do catarinense. Curiosamente o chefe da arbitragem tem repetido árbitros e assistentes em jogos de clubes grandes, mostrando absoluta falta de critério em suas designações. Foi assim com Sandro Meira Ricci que atuou em diversos jogos do Avaí na 1ª fase, bem como dois excelentes auxiliares: Nadine Bastos e Helton Nunes. Isso comprova não só a sua incapacidade de fazer os árbitros rodarem, como também mostra que em Santa Catarina não é qualquer árbitro que atua em jogos do Avaí.

A situação na arbitragem catarinense chegou a ponto dos clubes resolverem se meter. Ao que tudo indica, Rubens Angelotti, que jamais imaginou assumir o poder do dia para a noite, ainda não sabe o que vai fazer e anda totalmente perdido. Sem conhecer as dificuldades da categoria, o dirigente de Criciúma tem apostado as suas fixas na continuidade de Sandro Mattos à frente da arbitragem, porém o resultado não lhe está sendo nada favorável.



Fortes rumores indicam que mudanças estruturais e significativas deverão ocorrer em Santa Catarina após o estadual. Nomes de peso já foram levantados para uma possível nova composição da arbitragem, porém oficialmente em Balneário Camboriú, ninguém fala nada. Interlocutores de Angelotti na FCF atestam que a saída de Junior Moresco, ex-secretário do COAF, foi o estopim para a crise, já que era ele o responsável por apagar o fogo quando situações semelhantes a essa aconteciam. Sem ele lá, tudo passou a cair no colo de Mattos, que perdido, não tem mostrado habilidade gerencial para resolver os problemas.

Há em Santa Catarina muitos nomes que poderiam contribuir para que a arbitragem catarinense reencontrasse a sua identidade, já que há mais de duas décadas o estado não consegue emplacar um árbitro na FIFA. Porém parece que o Presidente da FCF está esperando a crise se instaurar de vez para corrigir na raiz o problema.

Com a criação de uma comissão independente para fiscalizar os trabalhos realizados com a arbitragem catarinense, os clubes deram literalmente um grito de liberdade. Ex-árbitros da época de Delfim Peixoto atestam, nos bastidores, que se ele estivesse vivo e no cargo, nada disso ocorreria. Porém com a sua morte, parece que a situação mudou, neste caso, pra pior, em Santa Catarina.

Segundo informações do blogueiro "Rodrigo Faraco", o Sindicato dos Árbitros do Estado encaminhou um ofício à FCF contra a criação da Comissão Independente. No comunicado assinado por Helio Prado, presidente em exercício da entidade, o órgão põe em xeque a capacidade técnica dos dirigentes que vierem comandar esse setor. Ainda segundo o documento, o SINAFESC não concorda e vai, através do diálogo, tentar reverter essa situação.

Independente de todo esse imbróglio, Santa Catarina não merecia esse tipo de tratamento. Enquanto estados como Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais investem em mão de obra qualificada, com pessoas preparadas à frente de seus comitês, parece que um dos principais estados do país, dono de um futebol vitorioso e competitivo, tem nadado na contramão da modernidade e da capacitação de pessoas.

A nossa reportagem entrou em contato com Rubens Angelotti e Sandro Mattos, para que eles pudessem se manifestar. Porém até o fechamento da matéria, os dirigentes não foram encontrados.

Atualizado 15/03/2017 às 21h:49

Pouco mais de uma hora depois da publicação desta matéria, a Associação de Clubes de Futebol de Santa Catarina, soltou uma NOTA esclarecendo que por hora não criará uma Comissão Independente de Arbitragem no estado. Segundo o documento assinado por Luiz Henrique Martins Ribeiro, Presidente do órgão, foi sim levantada a possibilidade, porém essa comissão alternativa seria criada para a “avaliação interna”, mas qualquer nome só seria contatado com a anuência da Federação Catarinense de Futebol e seus parceiros.

Imagens: Júlio Cancellier

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Comentários


Mauro Sérgio Gonzalez
Parabéns pela reportagem. Há tempos não lia um texto tão fiel quanto o de cima, que retrata a nossa realidade. Angelotti é sério, mas está perdido como dissestes. Melhor nome pra assumir é o de Dalmo, ou então, encerrem a carreira do Jefereson e o coloquem la. Homens íntegros. Sandro é bom, mas não serve pra presidente.

Felipe Nunes
Se tu queres criticar, faça de maneira ampla. Tu sabes que aqui tem muita merda pra jogar no ventilador. Sugiro um dossiê. Denuncie tudo! Ninguém aqui é santo senhor jornalista! Faças o combate, mas cite o antes, o agora e o depois.

Jotta
O Rubens angelotti mudou de federação??????? Assumiu a Paranaense??? Presta atencao meu redator.

IVAR Luiz dos santos
Presidente da FCF, reconheça seus equívocos, seja humilde. O mandato em exercício NÃO TE PERTENCE, estás Presidente, pela fatalidade ocorrida. Deverias por retidão gratidão, apenas dar endamento aos projetos elaborados por saudoso Dr Delfim, e as pessoas as pessoas , as quais , Dr Delfim, delegava os poderes, a exemplo maior , do JUNIOR MORESCO. Que a exemplo do seu mestre, mantém portas abertas em todos os Clubes de Santa Catarina e do Brasil. Eu afirmo e assino com o sentimento de dever cumprido , e para saúde plena do Esporte Catarinense. SHALOM

Paulo Nogueira
Moresco saiu e a coisa desandou. Não era santo, mas resolvia. Agora JESUS, deixa de ser burro! Tu ao invés de ficar ao lado do sistema, fica contra ele criticando a Federação? Tira essa merda do ar!

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