O DF conta com 120 juízes e auxiliares em atividade. Desses, 50 fazem parte do quadro local e seis do quadro CBF, que relaciona os juízes das partidas nacionais. Para ser promovido, o árbitro precisa ter dois anos de experiência na federação, estar atuando na primeira e segunda divisão do campeonato local e ter, no máximo, 35 anos.
A posição de destaque da arbitragem é antiga. "A arbitragem de Brasília é muito maior que seu futebol", atesta Luciano Almeida, ex-árbitro Fifa. "Estou há 28 anos na arbitragem de Brasília e sei que a formação é levada muito a sério", afirma Jorge Paulo Gomes, presidente da Associação Nacional de Árbitros de Futebol(Anaf) e ex-árbitro assistente do quadro internacional.
A falta de recursos impede uma maior expressão dos árbitros da cidade. Não há espaços para treinamento e os juízes atuam em campeonatos sem visibilidade. "Considero os árbitros de Brasília verdadeiros heróis. Eles conseguem se destacar sem mídia por três", afirma Luciano.
Prata da Casa
Sandro Ricci, funcionário público e árbitro há cinco anos, escolheu a carreira para continuar em contato com o futebol. "Ele é uma aposta da Comissão de Arbitragem e, aos poucos, vai encontrando seu espaço", observa o comentarista da Sport TV, Renato Massiglia.
Sandro enumera vantagens e desvantagens de ser juiz no Brasil. "É gratificante conhecer novos lugares, ser remunerado e ter reconhecimento público, afirma. "Por outro lado, não somos considerados agentes profissionais num ambiente profissional".
O gerente de empresas Wilton Sampaio é árbitro há oito anos e integra o quatro CBF há três. Wilton planeja tornar-se árbitro Fifa. "Sonho com essa perspectiva, principalmente por ser jovem". Um árbitro internacional precisa estar apitando jogos da Série A, ter concluído o ensino superior e falar inglês e espanhol.
Segundo Paulo Sérgio, o que falta à arbitragem do Distrito Federal é periodicidade nos cursos. "Estamos carentes de renovação", critica. O último curso de árbitros ocorreu em 2006. O presidente do SAF/DF, Nivaldo Nunes, explica que a falta de parcerias para abrir os custos impede a contínua formação. "Para o próximo ano, concluiremos o processo para realizar o curso". Afirma.
Movidos pela paixão
Raimundo Lobo e Alexandre Andrade fazem parte do quadro local. Alexandre, árbitro há 13 anos, acredita que é mais difícil apitar Cruzeiro x Brasília do que Fla x Flu.
"O jogo de elite possui mais infra-estrutura e é tranqüilo pelo nível de profissionalização", conta. Sandro concorda:
"Quando você apita em nível local, pode esperar qualquer coisa de um atleta. Não existe mídia que evite reações grotescas".
Sem o reconhecimento de Sandro, Sérgio ou Wilton, os demais árbitros locais são motivados por outros fatores.
"O pessoal do quadro básico faz porque gosta. É mais por paixão do que pela carreira", diz Raimundo. Um juiz ganha taxa de acordo com o número de vezes que é escalado. Um árbitro Fifa pode ganhar até R$ 3 mil por jogo. No DF, as taxas variam de R$ 80 a R$ 200, por partida.
"Já que falam que aqui é o país de futebol, por que não dizer que somos o país da arbitragem?", questiona Wilton. Se depender do talento e da capacidade de nossos árbitros, a capital deste novo país fica mesmo pelo Planalto Central.
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