Wilson Seneme herda abacaxi brasileiro para descascar na sul-americana
Com o pior quadro FIFA de sua história, arbitragem brasileira pode amargar o ostracismo nos próximos anos
Da redação
Atualizado em 07/05/2017 às 02h:13

SÃO PAULO – Diferente do que ocorre em outros países da América latina, no Brasil a arbitragem atravessa um dos piores momentos de sua história. Com um processo de renovação falido em grandes centros como São Paulo, Paraná e Bahia, o país do futebol possui a composição mais fraca de árbitros internacionais de todos os tempos. Basta ver as últimas ascensões para comprovar não só que a qualidade técnica deixou de ser um quesito primordial no processo de promoções ao quadro internacional, como também constatar, diante deste panorama, o trágico momento vivido no apito tupiniquim.

O ex-árbitro Wilson Luis Seneme embora tenha tido uma carreira marcada por reprovações físicas, tecnicamente até hoje é referendado pelas arbitragens espetaculares que conseguia fazer em jogos de grande expressão. Com um currículo recheado de decisões e clássicos no Brasil e fora dele, o paulista de São Carlos que de bobo nada tem, entrosado politicamente com a CBF, após aposentar-se conseguiu desbancar árbitros de renome internacional e com “Copas do Mundo” na bagagem como o uruguaio Jorge Larrionda e o colombiano Óscar Ruíz, assumindo assim o comando do Comitê de Árbitros da Conmebol.

A ida de Wilson Seneme para a sul-americana encheu de esperança a arbitragem nacional, já que nunca antes em sua história, um brasileiro comandou o apito latino. Porém diante das dificuldades para fazer as melhores escolhas, nem mesmo o prestígio político do ex-FIFA do Brasil tem sido capaz de tapar o sol com a peneira. Em competições internacionais, apenas Sandro Meira Ricci, mesmo com uma carreira assolada de polêmicas e ainda tido como um dos piores árbitros do país; Ricardo Marques Ribeiro, que perdeu espaço e apagou-se na última temporada e Wilton Sampaio, que tecnicamente está abaixo de Anderson Daronco, Dewson Freitas, Wagner Magalhães e Luiz Flávio de Oliveira, conseguem sobreviver.

Embora tenha dez árbitros centrais no quadro internacional, apenas três são designados com frequência em jogos fora do Brasil. Esse fator comprova a deficiência técnica/política de um quadro FIFA que nem de longe se parece o que o se via no início da década de dois mil, onde os “melhores” eram promovidos e apitavam. Hoje, na atual conjuntura, os que apitam não merecem apitar, e os que não atuam, em sua maioria, não atuam por deficiência técnica. Com esse panorama, Wilson Seneme até tenta, mesmo assim tem sérias dificuldades de apostar em novos nomes.

Desde que assumiu o comando da arbitragem brasileira, no ano passado, Marcos Marinho, Presidente do Comitê de Árbitros da CBF, optou, após tomar conhecimento do que enfrentaria pela frente, andar o país para conhecer de perto, numa gestão itinerante e bem longe do gabinete, a essência da arbitragem nacional. Sabedor de que o panorama é assustador e que o Brasil pode ficar sem representantes nas próximas Olimpíadas e até na próxima Copa do Mundo, caberá agora ao chefe do apito brasileiro trabalhar, em parceria com as federações e com Wilson Seneme, a fim de reverter essa situação. Caso nada seja feito, não se espante caso novas ascensões desastrosas como as deste ano, voltem a acontecer no apito brasileiro.

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